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O sucesso sem sacrifício é mera ilusão

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Chega, já decidi, agora quero ser gente, vou procurar alguma coisa para fazer, nem que seja pequena, desde que seja digna.

Cansei de ser alvo de maus comentários, de me culparem pelo rumo que minha vida está.

Quero fazer algo diferente, e quando decido, está decidido.

Em breve minha vida vai mudar, eu me proponho a ir a luta...

Hoje não quero encher os meus leitores de palavras, só queria que implementassem as palavras supra escritas.

 
 

A face oculta na violência doméstica

 

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A violência conjugal é definida por Manita, et al., (2009) como sendo como sendo uma das dimensões da violência doméstica[1]Refere-se a todas formas de comportamento violento atrás referidas, exercida por um dos cônjuges/companheiro/ex-companheiro sobre o outro.Quando se fala de violência conjugal muitos recorrem aquela em que a mulher é violentada e o homem é agressor. Esquecendo não só a violência que acontece no âmbito das relações do mesmo sexo mas sobretudo, a violência em que a mulher exerce sobre o seu parceiro no âmbito das relações de intimidade. Conforme relata Casimiro (2013) não é a pretensão deste artigo desvalorizar a violência em que a mulher é vítima na conjugalidade, até porquê, as estatísticas mostram números alarmantes, uma vez que segundo DW made for minds (2016) seis (6) em cada dez (10) mulheres em Moçambique sofrem de violência doméstica e, em Portugal segundo o relatório da APAV (2016) em média catorze (14) mulheres são diariamente vítimas de violência. Embora Silva (2013) refira que o aumento das estatísticas não revela necessariamente o aumento dos atos violentos, mas sim o aumento da consciência da violência como como um crime punível.

Voltando a questão da contra os homens, que não raras vezes constitui a face oculta da violência conjugal, sua invisibilidade deve-se ao fato a sociedade ter apriori definido o homem na distinção do género, como sendo aquele que é forte, racional, patrono da família, insensível. E a mulher como sendo a frágil, sensível, que deve total e indiscutível obediência como alerta Arthur (2007). Fator este que faz com que os homens tenham vergonha de participar as agressões de são alvo por parte das suas parceiras. Sendo que paira neles a ideia de que serão desacreditados, dado existir a questão: como é que um homem, aquele que deve ser forte, patrono da família pode sofrer agressão por parte da mulher «frágil, obediente»? Não será que foi em legítima defesa que a parceira lhe agrediu?

Se é verdade que maior parte das agressões que as mulheres cometem contra seus parceiros é por legítima defesa, “legitima defesa não é propriamente a reação naquele preciso momento, pode ser que os casos dos óleos de que falas de Moçambique as mulheres o façam naquelas circunstâncias porque é quando elas podem reagir, porque estão cansadas” (Deus, 2017)[2].

Não é menos verdade que as mulheres agridem seus homens sob iniciativa própria, visto que a violência assume diversas formas: física, psicológica, económica, patrimonial etc.

 

Igualdade de género ou igualdade na violência?

 

Muitos têm sido os debates acerca de igualdade ou equidade do género, a verdade é que para quem tem pouco entendimento na matéria conota esta designação ao ponto de criar debates ofensivos.

Com a igualdade de género, pretende-se na visão de Cotrim (2017) desassociar a dualidade mulher-mãe (dona de tarefas tipicamente domésticas), homem-trabalhador. Pretende que que haja igualdade de oportunidades, de direitos, de deveres para ambos sexos. Que a participação não seja discriminada.

 

Nesta sequência, muitos foram os trabalhos feitos para que se chegasse ao estágio atual, não se está a dizer que conseguiu-se 50/50, mas que já se observam alguns avanços “poder-se-á pensar que se alguma vez houve, no período de evolução humana, um tempo em que ambos os sexos tiveram oportunidades de alcançar carreiras satisfatórias e casamentos felizes, esse tempo, é agora. Poder-se-ia acrescentar, por hipótese, se houve algum período da história em que as mulheres puderam exercer tantas formas de violência(s) sobre o cônjuge, esse período talvez seja o da atualidadeProvavelmente, as futuras gerações de mulheres participarão de forma igualitária em todas os aspetos dos seus relacionamentos íntimos, incluindo na violência” (Casimiro, 2013, p. 8).

Esta situação da tendência 50/50 na violência preocupa, não só porque são as mulheres que estão a exercer a violência como reclamaram alguns compatriotas moçambicanos, mas sobretudo porque trata se de um atentado a saúde pública e uma violação ao mais alto dos direitos humanos. 

Por via disso, é a pretensão do artigo em curso denunciar a violência contra todas pessoas sem discriminação de sexo, raça, estatuto social, localização geográfica. E aconselhar a quem é de direito (policia, Ministério Público e os demais) para que abram as mentes e olhem também a violência no feminino contra os homens, de modo que seja exercida a justiça social.

 

É preciso, que cada um dos membros da sociedade assuma que a violência conjugal seja ela cometida por mulher ou por homem EXISTE e constitui um crime punível. Aliás, tanto em Portugal (local onde a autora deste texto se encontra atualmente) como em Moçambique (público prioritário para este artigo) a violência conjugal enquanto parte integrante da violência doméstica, constitui um crime público, de acordo com artigo 152o do código penal Português e artigo 21o da lei moçambicana 29/2009 de 29 de Setembro, referente a violência doméstica praticada contra a mulher


[1]É um comportamento violento continuado ou um padrão de controlo coercivo exercido, direta ou indiretamente, sobre qualquer pessoa que habite no mesmo agregado familiar (ex: avó, pai, cônjuge/a, filho, mãe, irmão), ou não coabitando, seja companheiro/a, ex-companheiro/a ou que tenha ligações afetivas.


[2] Deus é doutoranda e professora na Universidade Lusófona de Lisboa, proferiu esse discurso aquando de um debate acerca de casos de óleo quente usado pelas mulheres em Moçambique para queimar seus parceiros e o posicionamento de Alice Mabota sobre a questão numa entrevista da STV.É um comportamento violento continuado ou um padrão de controlo coercivo exercido, direta ou indiretamente, sobre qualquer pessoa que habite no mesmo agregado familiar (ex: avó, pai, cônjuge/a, filho, mãe, irmão), ou não coabitando, seja companheiro/a, ex-companheiro/a ou que tenha ligações afetivas.

 

Bibliografia Básica 

Escolarizados no desemprego em Moçambique: De quem é a culpa?

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Escolarizados no desemprego: de quem é a culpa?

Nos últimos tempos, tem sido frequente jovens com ensino superior ficarem desempregados por muito tempo, este fato, inquieta muitas pessoas, se por um lado a quem acredita que formação é sinónimo de emprego, por outro, encontramos graduados a enfrentar sérias dificuldades para o acesso ao primeiro emprego.


Este fato se revela um pouco em toda parte, para elucidar alguns exemplos, entrevistamos uma docente renomada em universidades portuguesas, que relatou que " atualmente jovens licenciados trabalham em cafés, é uma batalha a procura de emprego, o mais triste é que os empregadores nalguns casos exploram os nossos jovens (...) fazendo-lhes trabalhar horas acima do normal..." (sic.).
Sobre a mesma temática o programa "Grande Plano" da STV numa das suas reportagens mostrara um jovem licenciado em Antropologia e a trabalhar como personal trainer, para além dos muitos outros que continuam desempregados e outras a trabalharem como empregadas domésticas.
 
Quando se fala em desemprego, as opiniões são controvérsias, se em parte encontramos pessoas que atribuem a culpa ao governo particularmente ao Ministério de Educação e Desenvolvimento Humano, por outra acompanhamos discursos de culpabilização dos próprios desempregados, jovens. As alegações incidem sobre os discursos como "os jovens não devem esperar que o governo lhes dê emprego, devem criar seu próprio emprego, devem ser empreendedores" (sic.)
 
Autoemprego: um dom ou um aprendizado?
A problemática do desemprego, preocupa muitas sociedades, uma vez que esta situação gera uma exclusão social e como refere Isabel Dias (1998) condena os jovens a serem eternos dependentes dos seus pais. O que gera frustração não só para estes últimos mas e sobretudo para as vítimas de desemprego, como revelou o AMAVconselhos (2017) num dos seus primeiros artigos. Estes jovens acabam sendo vítimas de muitos outros fenómenos tais como: o álcool, as drogas, a prostituição a criminalidade, etc.
 
Se se considerar que o autoemprego é um dom, ter-se-ia que concordar que todo dom precisa ser aperfeiçoado, e para quem não o possui, usando a maiêutica Socrática, valorizar-se-ia o ensinamento, enquanto caminho para que o indivíduo desperte em si o que estava adormecido,  tal como Kant referiu que Hume lhe fez despertar do sonho dogmático, através do ensino, do que é ser empreendedor, como criar um autoemprego capacitar-se-iam jovens para lutar contra o desemprego. 
 
É frequente acompanhar indignações de falta de oportunidades para estágios que permitam ter um contacto com a realidade no terreno e que possibilite que os jovens tenham experiência, sendo que a maior parte das poucas vagas que são divulgadas exigem experiência na função.  Não estamos a falar de estágios remuneráveis, estamos a falar de um trabalho para a capacitação dos jovens para o mercado profissional, para a criação do autoemprego. Em espaços europeus, têm programas de voluntariados, estágios extracurriculares, entre outras formas de capacitação e de empoderamento dos jovens.
 
A culpa é do governo?
Em situações de aflição como a do desemprego é recorrente se buscar a resposta mas próxima, levando toda a culpa para o governo, mas a verdade é que trata-se de todo um sistema que está doentio, como explanou o doutorando Óscar (2017) em umas das entrevistas "podemos culpar o governo, mas o que não analisámos é que fazem parte deste problema os doadores internacionais, que determinam prazos para que os Estados tirem tantos licenciados (...), os partidos que governam porque não querem intelectuais, pois sabem que serão sua maior ameaça, por isso o sistema de educação tende a reproduzir servos, formados sem a capacidade de crítica..." (sic.)
 
Não queremos com isso desresponsabilizar os jovens formados vítimas de desemprego, pois, entendemos que devem por seu turno lutar para serem autónomos, não esperar somente que o governo lhes dê emprego, os jovens devem despertar para uma consciência do autoemprego, e isso passa por valorizar a si mesmo, as relações a volta e por conseguir conquistar novas relações que lhes facilite ideias, ou aperfeiçoamento de ideias. Pensar, e se eu pudesse investir em empreendedorismo em que área seria? Daí começar a pensar nas pessoas que precisaria para que tal se efetivasse, um pequeno negócio pode mudar o mundo e salvar gerações.
 
 
Quanto ao governo, não pode se cingir em proferir discursos como "os jovens devem criar seu próprio emprego" deve porém estudar, melhorar e implementar estratégias que visem a diminuição do desemprego, desde a abertura em acolher e apadrinhar iniciativas dos jovens para o desenvolvimento social, passando pelos programas (nacionais e internacionais) de estágios e voluntariados até a criação de centros de qualificação e empregos.
#Júlia da Regina sainda

Vítimas clamam por um olhar!

chorar

O conceito de vítima nos remete de imediato a vítimas de violência, de criminalidade, contudo, os desempregados, também a meu ver são vítimas, dado que para além de em alguns casos terem formação e não conseguirem o enquadramento profissional, estando, neste caso, a serem vitimizados pela falta de políticas de empregabilidade, são no seu cotidiano, vítimas da exclusão social, da marginalização social, e, em algumas vezes da rejeição familiar.
Estas vítimas conforme entende Dias (1998) se transformam em dependentes a longo prazo dos seus progenitores. Das que suas famílias não possuem meios para lhes dar auxílio, entram na criminalidade, e neste sentido, alguns criminosos são vítimas; entram na prostituição como referiu uma testemunha “ Eu estou envolvida com 3 jovens, um deles é que paga tudo o que eu quero... e eu pago com tudo, não faço por gostar, as vezes choro, digo quero deixar, mas quando penso na minha mãe e na minha irmã, elas precisam do meu apoio ... por isso continuo neste sufoco” (sic.).
Quando questionada qual seria a solução adequada para que ela pudesse sair daquela situação, a mesma respondeu “ ter emprego, tenho nível médio e um curso profissional, já efetuei (2) estágios, meto CV’s mas não apanho emprego
Uma segunda entrevistada, vítima de violência conjugal contou “ ele me mal trata porque sabe que dependo dele, se eu tivesse emprego acredito que ele iria mudar...”(sic.)
A terceira entrevistada conta que “ele me bate, agora quer que a gente vá viver juntos, se eu não aceitar vai dizer que tenho alguém... outra vez ficou sem me dar mesada para pagar a escolinha do menino porque estava zangado.... eu sei que ele faz isso porque sabe que não trabalho...” (sic.).
O quinto entrevistado relatou “ela fugiu com a nossa filha não sei para onde...ela me humilha, me joga na cara a minha condição de desempregado...tenho o nível superior, já meti CV’s mas nenhuma resposta, tentei fazer alguns negócios mas com esta crise que o País atravessa nada consigo, as coisas estão caras, estou a ficar em casa, não tenho nem o básico para dizer posso ir a capital para tentar outros caminhos... não tenho com o que pagar a renda ou coisas para comer enquanto procuro emprego lá...” (sic).
Estes dentre os muitos casos aqui não relatados, reportam a situação vivida nas nossas sociedades, uma situação que urge repensar as políticas de integração da sociedade. Trata-se que um de um problema que se expande não somente em Moçambique, mas um pouco por todo o mundo. A pergunta é, de onde começar? A verdade é que tem de se começar por algum sítio, desde a integração nos planos curriculares de temáticas inerentes ao empreendedorismo, passando pelo empowerment destas vítimas que aos a cada dia perdem a força pela procura de emprego. No sentido de capacitá-las a descobrir novos caminhos para saírem da situação deplorável a que se encontram.